Uma das aportações mais importantes e inovadoras do romanticismo é a valor que se dá a paisagem. A natureza passa a ser vista como uma verdade, um conceito imutável, interpretada de maneira única por cada artista. Essa visão, que também abrange a outras expressões artísticas – como na arquitectura neogótica e nos jardins pitorescos –, oscila entre dois pólos: o sublime – a natureza e a solidão – e o pitoresco – a natureza é um entorno acolhedor que fomenta os sentimentos sociais do artista.
A paisagem romântica é um reflexo lírico e espiritualizado da natureza. O ser humano, ao contemplar nela a magnífica unidade paisagística, toma peremptoriamente consciência de sua própria pequenez e sente que todas as coisas estão no Absoluto, em Deus. Perde-se, dentro de si, e se deixa absorver animicamente nesse infinito. Essa ‘espiritualização’ tem como máximo representante o alemão Caspar David Friedrich (1774-1840), em cujos quadros assistimos a impotência do ser humano ante a grandiosidade da natureza.
Enquanto aos temas, poderíamos definir dois como os mais habituais: a pintura de montanhas e vales, sobre as que inclusive há tratados como os de Alexander Cozens, que busca explorar o selvagem, o agreste, e tudo aquilo que sobrevive acima das demais misérias humanas; e as paisagens com ruínas, mormente medievais, em amplas perspectivas que prolongam o espaço e reduzem praticamente ao anonimato os personagens presentes.
Por sua parte, os excelentes paisagistas ingleses, como John Constable (1776-1838), dão um giro romântico à pintura ao enfrentar-se de forma subjectiva e sem nenhuma norma académica a natureza. Constable pinta ao ar livre, e sente a natureza e a identifica com sua personalidade como único meio para representa-la.
Outro pintor, John William Turner (1775-1851), opera maior evolução; desde os paisagistas clássicos – Pousin, Lourrain – à uma arte puramente visionária, projectando da maneira mais sublime seus sentimentos frente ao natural. Possui um elemento perturbador, que com a violência de suas tempestades, incêndios e naufrágios, que anulam ao ser humano.
Em temas não paisagísticos, outro pintor e poeta romântico – ainda que resulte inclassificável porque excede os limites mantidos pelo movimento –, é o britânico William Blake (1757-1827). Grande ilustrador de obras literárias (como a Divina Comédia), logra identificar a parte visual e escrita, transmitindo ritmo e dinamismo à imagens sumamente imaginativas. Blake criou uma arte visionária, apocalíptica, fantástica, de ressonâncias miguelangelescas, aonde se sente claramente o apreço pelo medieval.
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